Mostrando postagens com marcador martha medeiros. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador martha medeiros. Mostrar todas as postagens

sábado, 6 de agosto de 2011

Mulher boazinha

Qual o elogio que uma mulher adora receber?
Bom, se você está com tempo, pode-se listar aqui uns setecentos:
Mulher adora que verbalizem seus atributos, sejam eles físicos ou morais.
Diga que ela é uma mulher inteligente, e ela irá com a sua cara.
Diga que ela tem um ótimo caráter e um corpo que é uma provocação,
e ela decorará o seu número.
Fale do seu olhar, da sua pele, do seu sorriso, da sua presença de espírito,
Da sua aura de mistério, de como ela tem classe:
Ela achará você muito observador e lhe dará uma cópia da chave de casa.
mas não pense que o jogo está ganho: manter o cargo vai depender da sua
perspicácia para encontrar novas qualidades nessa mulher poderosa, absoluta.
Diga que ela cozinha melhor que a sua mãe,
que ela tem uma voz que faz você pensar obscenidades,
que ela é um avião no mundo dos negócios.
Fale sobre sua competência, seu senso de oportunidade,
seu bom gosto musical.
Agora quer ver o mundo cair?
Diga que ela é muito boazinha.
Descreva aí uma mulher boazinha.
Voz fina, roupas pastel, calçados rente ao chão.
Aceita encomendas de doces, contribui para a igreja,
cuida dos sobrinhos nos finais de semana.
Disponível, serena, previsível, nunca foi vista negando um favor.
Nunca teve um chilique.
Nunca colocou os pés num show de rock.
É queridinha.
Pequeninha.
Educadinha.
Enfim, uma mulher boazinha.
Fomos boazinhas por séculos.
Engolíamos tudo e fingíamos não ver nada, ceguinhas.
Vivíamos no nosso mundinho, rodeadas de panelinhas e nenezinhos.
A vida feminina era esse frege: bordados, paredes brancas,
crucifixo em cima da cama, tudo certinho.
Passamos um tempão assim, comportadinhas, enquanto íamos alimentando um
desejo incontrolável de virar a mesa.
Quietinhas, mas inquietas.
Até que chegou o dia em que deixamos de ser as coitadinhas.
Ninguém mais fala em namoradinhas do Brasil: somos atrizes,
estrelas, profissionais.
Adolescentes não são mais brotinhos: são garotas da geração teen.
Ser chamada de patricinha é ofensa mortal.
Pitchulinha é coisa de retardada.
Quem gosta de diminutivos, definha.
Ser boazinha não tem nada a ver com ser generosa.
Ser boa é bom, ser boazinha é péssimo.
As boazinhas não têm defeitos.
Não têm atitude.
Conformam-se com a coadjuvância.
PH neutro.
Ser chamada de boazinha, mesmo com a melhor das intenções,
é o pior dos desaforos.
Mulheres bacanas, complicadas, batalhadoras, persistentes, ciumentas,
apressadas, é isso que somos hoje.
Merecemos adjetivos velozes, produtivos, enigmáticos.
As “inhas” não moram mais aqui.
Foram para o espaço, sozinhas.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

"E o que é que ela vê nele?"

Nossos amigos se interrogam sobre nossas escolhas, e nós fazemos o mesmo em relação às escolhas deles. O que é, caramba, que aquele Fulano tem de especial? E qual será o encanto secreto da Beltrana?

Vou contar o que ela vê nele: 

Ela vê uma serenidade rara e isso é mais importante do que o Porsche que ele não tem, 
Ela vê que ele se emociona com pequenos gestos e se revolta com injustiças, 
Ela vê uma pinta no ombro esquerdo que estranhamente ninguém repara, 
Ela vê que ele faz tudo para que ela fique contente
Ela vê que os olhos dele franzem na hora de ler um livro e mesmo assim o teimoso não procura um oftalmologista, 
Ela vê que ele erra, mas quando acerta, acerta em cheio, 
Que ele parece um lorde numa mesa de restaurante mas é desajeitado pra se vestir, 
Ela vê que ele não dá a mínima para comportamentos padrões, 
Ela vê que ele é um sonhador incorrigível, ela o vê chorando, 
Ela o vê nu, ela o vê no que ele tem de invisível para todos os outros.

Agora vou contar o que ele vê nela: 

Ele vê, sim, que o corpo dela não é nem de longe parecido com o da Daniella Cicarelli, 
Mas vê que ela tem uma coxa roliça e uma boca que sorri mais para um lado do que para o outro, 
E vê que ela, do jeito que é, preenche todas as suas carências do passado, 
E vê que ela precisa dele e isso o faz sentir importante, 
E vê que ela até hoje não aprendeu a fazer um rabo-de-cavalo decente, 
Mas faz um cafuné que deveria ser patenteado, 
E vê que ela boceja só de pensar na palavra bocejo 
E que faz parecer que é sempre primavera, de tanto que gosta de flores em casa, 
E ele vê que ela é tão insegura quanto ele e é humana como todos, 
Vê que ela é livre e poderia estar com qualquer outra pessoa, mas é ao seu lado que está
E vê que ela se preocupa quando ele chega tarde 
E não se preocupa se ele não diz que a ama de 10 em 10 minutos, 
E é por isso ele a ama mesmo que ninguém entenda.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Entre amigos

Para que serve um amigo? 
Para rachar a gasolina, emprestar a prancha,
recomendar um disco, dar carona pra festa, passar cola, 
caminhar no shopping, segurar a barra. 
Todas as alternativas estão corretas, porém isso não basta
para guardar um amigo do lado esquerdo do peito.

Milan Kundera, escritor tcheco, escreveu em seu último livro, "A Identidade",
que a amizade é indispensável para o bom funcionamento 
da memória e para a integridade do próprio eu. 
Chama os amigos de testemunhas do passado 
e diz que eles são nosso espelho, 
que através deles podemos nos olhar. 
Vai além: diz que toda amizade é uma aliança contra a adversidade, 
aliança sem a qual o ser humano ficaria desarmado contra seus inimigos.

Verdade verdadeira. 
Amigos recentes custam a perceber essa aliança, 
não valorizam ainda o que está sendo contruído. 
São amizades não testadas pelo tempo, 
não se sabe se enfrentarão com solidez as tempestades 
ou se serão varridos numa chuva de verão. 
Veremos.

Um amigo não racha apenas a gasolina:
racha lembranças, crises de choro, experiências. 
 Racha a culpa, racha segredos.

Um amigo não empresta apenas a prancha. 
Empresta o verbo, empresta o ombro, 
empresta o tempo, empresta o calor e a jaqueta.

Um amigo não recomenda apenas um disco. 
Recomenda cautela, recomenda um emprego, recomenda um país.

Um amigo não dá carona apenas pra festa. 
Te leva pro mundo dele, e topa conhecer o teu.

Um amigo não passa apenas cola. 
Passa contigo um aperto, 
passa junto o reveillon.

Um amigo não caminha apenas no shopping. 
Anda em silêncio na dor, entra contigo em campo, 
sai do fracasso ao teu lado.

Um amigo não segura a barra, apenas. 
Segura a mão, a ausência, segura uma confissão, 
segura o tranco, o palavrão, segura o elevador.

Duas dúzias de amigos assim ninguém tem. Se tiver um, amém.

O mulherão

Peça para um homem descrever um mulherão.
Ele imediatamente vai falar do tamanho dos seios, na medida da cintura, no volume dos lábios, nas pernas, bumbum e cor dos olhos. 
Ou vai dizer que mulherão tem que ser loira, 1,80m, siliconada, sorriso colgate.
Mulherões, dentro deste conceito, não existem muitas:
Vera Fischer, Leticia Spiller, Malu Mader, Adriane Galisteu, Lumas e Brunas.
Agora pergunte para uma mulher o que ela considera um mulherão e você vai descobrir que tem uma a cada esquina.
Mulherão é aquela que pega dois ônibus por dia para ir ao trabalho e mais dois para voltar,

e quando chega em casa encontra um tanque lotado de roupa 
e uma família morta de fome.
Mulherão é aquela que vai de madrugada para a fila garantir matricula na escola 
e aquela aposentada que passa horas em pé na fila do banco para buscar uma pensão de 100 Reais.
Mulherão é a empresária que administra dezenas de funcionários de segunda a sexta, 

e uma família todos os dias da semana.
Mulherão é quem volta do supermercado segurando várias sacolas depois de ter pesquisado preços e feito malabarismo com o orçamento.
Mulherão é aquela que se depila, que passa cremes, que se maquia, 
que faz dieta,que malha,que usa salto alto, meia-calça,
ajeita o cabelo e se perfuma,mesmo sem nenhum convite para ser capa de revista.
Mulherão é quem leva os filhos na escola,busca os filhos na escola,
leva os filhos para a natação,busca os filhos na natação,
leva os filhos para a cama,conta histórias,dá um beijo e apaga a luz.
Mulherão é aquela mãe de adolescente que não dorme enquanto ele não chega, 
e que de manhã bem cedo já está de pé, esquentando o leite.
Mulherão é quem leciona em troca de um salário mínimo,

é quem faz serviços voluntários,
é quem colhe uva,
é quem opera pacientes,
é quem lava roupa pra fora,
é quem bota a mesa,cozinha o feijão e à tarde trabalha atrás de um balcão.
Mulherão é quem cria filhos sozinha, 
quem dá expediente de oito horas e enfrenta menopausa,TPM,menstruação.
Mulherão é quem arruma os armários, 
coloca flores nos vasos,fecha a cortina para o sol não desbotar os móveis, 
mantém a geladeira cheia e os cinzeiros vazios.
Mulherão é quem sabe onde cada coisa está, 
o que cada filho sente e qual o melhor remédio pra azia.

Lumas, Brunas, Carlas, Luanas e Sheilas: Mulheres nota dez no quisito lindas de morrer, mas MULHERÃO É QUEM MATA UM LEÃO POR DIA

Por que você ama QUEM você ama?



Ninguém ama outra pessoa pelas qualidades que ela tem, 
caso contrário os honestos, simpáticos e não-fumantes
teriam uma fila de pretendentes batendo à porta.

O amor não é chegado a fazer contas, não obedece a razão. 
O verdadeiro amor acontece por empatia, por magnetismo.

Ninguém ama outra pessoa porque ela é educada, veste-se bem e é fã do Caetano. 
Isso são só referenciais. 
Ama-se pelo cheiro, pelo mistério, pela paz que o outro lhe dá, 
ou pelo tormento que provoca. 
Ama-se pelo tom de voz, pela maneira que os olhos piscam,
pela fragilidade que se revela quando menos se espera.

Então que ela tem um jeito de sorrir que o deixa imobilizado, 
o beijo dela é mais viciante do que LSD, você adora brigar com ela 
e ela adora implicar com você.
Isso tem nome.

Você ama aquele cafajeste. 
Ele diz que vai e não liga, ele veste o primeiro trapo que encontra no armário
. Ele não tem a maior vocação para príncipe encantado, 
e ainda assim você não consegue despachá-lo. 
Quando a mão dele toca na sua nuca, você derrete feito manteiga. 
Ele toca gaita de boca, adora animais e escreve poemas. 
Por que você ama este cara?
Não pergunte para mim.

Você é inteligente. 
Lê livros, revistas, jornais. Gosta dos filmes dos irmãos Coen e do Robert Altman, 
mas sabe que uma boa comédia romântica também tem o seu valor.
É bonita. Seu cabelo nasceu para ser sacudido num comercial de xampu
e seu corpo tem todas as curvas no lugar (ou quase). 
Independente, emprego fixo, bom saldo no banco. 
Gosta de viajar, de música, tem loucura por computador e seu fettucine ao pesto é imbatível. 
Você tem bom humor, não pega no pé de ninguém. 
Com um currículo desse, criatura, por que diabo está sem um amor?

Ah, o amor, essa raposa. 
Quem dera o amor não fosse um sentimento, mas uma equação matemática:
eu linda + você inteligente = dois apaixonados. 
Não funciona assim.
Amar não requer conhecimento prévio nem consulta ao SPC. 
Ama-se justamente pelo que o Amor tem de indefinível. 
Honestos existem aos milhares, 
generosos tem às pencas, 
bons motoristas e bons pais de família, tá assim, ó!

Mas ninguém consegue ser do jeito do amor da sua vida!